O CAUSO DO BOI QUE VIROU NUVEM

Crônicas de MG.

Então vou lhe contar um causo que até hoje o povo lá da Serra do Cipó não sabe se acredita ou se esquece…


O causo do boi que virou nuvem

Dizem que foi numa sexta-feira de lua minguante, dessas que a noite vem rastejando cedo e o vento sopra como se estivesse sussurrando segredo. O compadre Juvenal, criador de gado e contador de mentira profissional, jura que estava voltando da venda, levando um boi branquelo que tinha comprado na feira de Curvelo. O bicho era manso, mas tinha um olhar tão profundo que parecia ler os pensamentos.

Juvenal atravessava o campo quando, de repente, uma ventania estranha se levantou. Não era vento de chuva nem de temporal: tinha cheiro de café coado e poeira de estrada. O boi parou, olhou pro céu e… começou a ficar leve. Primeiro, as patas mal tocavam no chão, depois, a poeira levantada por ele subiu junto, formando um redemoinho. Juvenal largou a corda e, com os olhos arregalados, viu o bicho se desfazer em fumaça branca, que subiu, subiu… e se juntou às nuvens.

O mais estranho veio depois: a nuvem ficou com a forma exata do boi e acompanhou Juvenal até a porteira de casa. A cada mugido que ele ouvia lá de cima, uma garoa fina caía, molhando só o chapéu dele — o resto da roupa ficava seco como forno de lenha.

O povo da vila, quando soube, correu pro pasto pra ver se achava sinal do boi. Nada. Só um rastro de grama molhada, em zigue-zague, como se tivesse passado ali uma nuvem de quatro patas.

Até hoje, quando a seca aperta, os mais velhos juram que basta acender um tição de fogão a lenha no meio do campo e assobiar como Juvenal fazia, que a nuvem-boi aparece, solta um mugido grosso e despeja uma chuvinha mansa só no terreno de quem chamou.

E quem duvida… que vá lá tentar. Mas tem que ser corajoso: dizem que, se o boi-nuvem não gostar da pessoa, ele desce relampejando e some levando o chapéu junto.


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