MINHA HISTÓRIA DE ESCRITOR INDEPENDENTE

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Sou Dalton Campos Roque, nascido em 1961 numa cidade de população mediana de MG. Antes de começar, preciso explicar minha formação, pois o conhecimento anterior e natural de uma pessoa influi enormemente na condição de ser um escritor independente. Quero ressaltar que nada é uma questão de QI, porém, muito mais de força de vontade, hiperfoco e cultura geral, aplicados naquilo que se define como meta.

Me formei em Engenharia Civil, sou afeito a quaisquer ciências exatas, no entanto, minha área foco literária é justamente oposta, em ciências humanas, cuja influência recebi de meu pai (hoje, 2025, tenho quase 40 obras independentes publicadas, umas 4 em andamento e mais umas 20 ideias esperando em fila). Mas, fiz duas pós-graduações em humanas: Estudos da Consciência com ênfase em Parapsicologia, e também, Educação em Valores Humanos (base Sathya Sai Baba).

Fui um aluno mediano e nada mais, apesar de ir relativamente bem no Ensino Fundamental, Médio e Superior. Preguiçoso (até hoje) nos estudos, sempre me vali da lei do menor esforço. Empenhar a mínima dedicação mental necessária para passar raspando em tudo, e deu certo. No vestibular (coisa de minha época), passei na segunda vez, para uma faculdade particular, não consegui na Federal de minha cidade.

Outra confissão que acho importante fazer é que sou autista. Minha terapeuta me falou na época, não me lembro bem, eu estava na faixa dos 40 anos, que eu tinha “traços de autismo”. Como minha ingenuidade era muito grande, não liguei para isso, até porque, eu não tinha autoconhecimento o suficiente para perceber, e tocava a vida aos trancos e barrancos, empurrando com a barriga. Só fui me dar conta de verdade em 2023 em diante, quando comecei a acompanhar perfis autistas nas redes sociais e me identificar cada vez mais com os sintomas e comportamentos.

Hoje, com 64 anos, ainda não tirei meu laudo e identificação pertinente por dois motivos: é caro e trabalhoso e já tenho os benefícios sociais de alguém da terceira idade, os benefícios que eu teoricamente teria, praticamente não compensam o investimento. Afinal, já cheguei ralando até aqui sozinho, então…


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Entre 1995 e 2003, trabalhei como professor de informática geral, que foi o que me ajudou em tudo na questão literária, pois tive que me virar sozinho – e me virei muito bem, como autor independente. Somos dependentes da informática para tudo, nesta época em que tudo é digital, ter este conhecimento é fundamental para quem quer ser um escritor independente.

Eu fui professor de informática: Corel Draw, Photoshop, Flash Macromedia, DOS, Windows (todas as versões), softwares da Microsoft (Publisher, Access, Word, Excel, Power Point, Paint Brush, Movie Maker, etc.), Pascal (linguagem de programação), pesquisa e entretenimento na internet (multimídia), análise de sistemas, fluxogramas e outros pequenos softwares que nem existem mais. Naquela época, mal existia internet, youtube nem pensar, tinha que aprender sozinho e comprando livros impressos, nunca tive ninguém para me ajudar, virei professor na marra.

Claro, a faculdade de engenharia me ajudou, lá aprendi programação (Fortran e Basic), fluxograma e cálculo numérico, isto me deu a base técnica para todo o resto. Essas matérias desenvolvem sinapses para um raciocínio lógico mais apurado, que nos ajuda em tudo na vida cotidiana, ao contrário da cultura popular de hoje em dia que louva e tem orgulho da “terra plana” e de vários mitos de ignorância.

Meu talento para escrever foi natural. No Ensino Fundamental e Médio já me destacava nas turmas. Até hoje sou fluente de inspiração e sempre escrevi a esferográfica em folhas de rascunho, que empilhava e ia na papelaria encadernar em espiral. A quantidade de cadernos numerados que tenho até hoje não publicados é grande. Alguns desses rascunhos chegavam a ter 250 páginas, tudo a caneta.

Nada foi fácil, tudo dava errado, ninguém acreditava, mas às vezes aparecem uns anjos amigos na vida que nos ajudam. É preciso crer em si mesmo e na própria vontade, não contar com ninguém, aprender a ser autodidata e se virar sozinho sem medo de errar.

Em 1998, trabalhava numa escola de informática que resolveu montar seu próprio material didático, eu e minha esposa éramos professores e começamos a ser escritores aí. Escrevemos toda a série de informática com 5 livros diferentes: internet, Windows, Excel, Power Point e Word, chamamos de “Série Prática”. Não existiam os recursos digitais fáceis que existem hoje.

Ao mudar de cidade, em 2000, lancei meu site, com textos de meus assuntos de interesse, nessas contas gratuitas que existiam, na época era o www.hpg.com.br – não existe mais. Eu abri o www.consciencial.hpg.com.br. Em 2001 comprei meu domínio – www.consciencial.org – este sim, seria o site de escritor independente, na época, minha esposa que montou, com um gerenciador de conteúdo pesado e difícil de lidar chamado Joomla, mas deu certo e funcionou bem. Ali eu postava meus textos sem muita pretensão, ainda não pensava em publicar nada.

Em 2003, fui dispensado de meu serviço, então combinei com a esposa que trabalhava e bancava tudo: “já escrevo este material há 6 anos, agora durante 2003 vou montar o livro para lançar”, ela concordou, me deu força e mergulhei a cabeça.

Em 2004, autônomo como professor de informática (aulas VIP), lancei minha primeira obra independente: O KARMA E SUAS LEIS (com umas 220 páginas, não me lembro exatamente). Tudo com dinheiro suado do próprio bolso. Prejuízo financeiro total.

Claro, o livro ficou pronto em 2003, e eu enviei durante um ano, originais para várias editoras grandes e pequenas do país. Algumas responderam educadamente em alguns meses, outras depois de 6 meses, outras nunca, todas negativas. Nunca desisti, fui para independência autoral.

Paguei para imprimir 1000 livros (offset – aquelas chapas finas de alumínio grandes – risos), acabei doando quase a metade (um pouco para marketing, mas bastante por compaixão também), a outra metade demorou anos para ser vendida, me senti um fracasso total. O mais incrível, foi que consegui um prefaciante dos mais relevantes do Brasil, que rasgou elogios à obra, mas nessa época ele não era tão conhecido por essas editoras como é hoje. E depois fez mais 2 prefácios para mim. Obrigado a ele!

Não conhecia o mercado literário, nenhuma experiência editorial, ingenuidade total, euforia máxima, entusiasmo de iniciante e queda no abismo. Quanto maior a expectativa, maior a queda e decepção. Costumo dizer que trabalho sozinho com uma picareta embaixo do sol de 40 graus no deserto asfáltico e estou tirando minhoca no asfalto. Tem sido assim até hoje, mas evoluí nas ferramentas e na experiência.

Em 2006 lancei a 2ª obra independente também em offset. Investimento, dinheiro, chapas de alumínio e a coisa toda, mais 1000 unidades para encalharem debaixo do colchão. Minha sorte é que recebi doações em dinheiro. Sim, pessoas que, vendo meu esforço e boa intenção, doaram quantias que bancaram esta segunda produção. Recebi 3 doações significativas (um advogado, um psicólogo e minha irmã) que ajudaram (tenho os agradecimentos e seus nomes no site até hoje), a vida era difícil, as contas no bico da caneta, os pés na rocha, o objetivo no horizonte e a consciência nas estrelas. Aos poucos as obras foram saindo, eu mesmo as vendia.

Em 2005-2006 já tínhamos mais ferramentas na web, minha esposa ralou – sempre estudando sozinha – e montou uma loja virtual à unha com esses gerenciadores de conteúdo, chamava-se Magento. Venda, email, confirma extrato, embrulha, vai aos correios, volta, envia recibo, um por um, uma novela mexicana, uma trabalheira. Tenho experiência de Mestre com “M” maiúsculo.

Depois começaram a surgir as impressoras digitais que barateavam a impressão, pois você podia imprimir na quantidade que quisesse desde 1 a infinito. Morava numa grande capital do sul do país e achei uma gráfica legal para continuar imprimindo de 1 a 10 cópias, e continuava o extremo trabalho de vender pela internet. Mas eu tinha que sair de casa, ir até a gráfica, conversar, depois ir lá para pegar as obras, mas funcionou bem por um tempo, até que não deu mais.

Depois foram surgindo as empresas que intermediam esses trabalhos gráficos de impressão digital como Clube de Autores (entre outras – há várias), que você pode imprimir apenas 1 livro ou por lotes e pagar mais barato na quantidade. Isto foi a salvação.

Mas a questão é: livro dá um trabalho gigantesco e um retorno mínimo, perto de zero. É um trabalho meticuloso como procurar agulha no palheiro, que exige minúcia, habilidade e infinita paciência. Quando um leitor pega uma obra com um mínimo de qualidade, não imagina o quanto de horas de trabalho foi empregado ali. Por isso dá vontade de esganar um @#$%& que pirateia seu livro. Pirataria de livro é “rico” roubando de pobre. E é gente que exige honestidade dos políticos e é militante extremista em redes sociais, geralmente.

Mas tem aquela conversa mole que tem muito autor ganhando dinheiro, etc. e tal, blá, blá, blá, mas num mercado gigante (que há vendas significativas sim), é um mínimo de autores que realmente consegue viver disso, o resto das vendas se dilui no oceano de autores, questão simples de estatística, basta interpretá-la e entender o que lê. Nesta hora eu lembro da piada maldita da web: “até hoje não precisei usar a equação do segundo grau”, e claro, por isso não consegue entender nem um gráfico ou número de estatística. Sinto muito por isto.

E assim você vê muito autor, tentando vender curso, dizendo que é um sucesso (pode não ser mentira, mas é exagero), prometendo mundos e fundos (exagero no marketing), para convencer escritores a fazerem o curso dele. Hoje é muito mais rentável vender a ilusão de sucesso para nós (autores independentes ingênuos) do que vender a própria obra.

Sim, há cursos que ensinam os trabalhos de profissional do livro, isto está correto: fazer a capa, a diagramação, ilustração, outros babados, mas vender a ilusão que o marketing, a divulgação, vai fazer de sua obra um sucesso, é mentira cara-de-ferro! É cinismo.

Pergunte a tais vendedores desses cursos se eles sabem calcular a probabilidade de sucesso de sua obra depois de contratar os serviços deles de divulgação e tal? A resposta deles será: depende! – Sim, depende da obra, do autor e de uma série complexa de fatores incalculáveis, portanto, não é ético nem idôneo prometer resultados.

E a vontade de fazer sucesso + ingenuidade + falta de conhecimento de mercado editorial = fazem de nós / você, clientes potenciais do delírio do marketing antiético.

Bem, prosseguindo na minha história. Eu também já acreditei nisso, mas hoje, experiente demais, tenho os pés no chão. Tenho as quase 40 obras: na Amazon, Clube de Autores e UICLAP. Tive que aprender a fazer tudo à unha eu mesmo: capa, ficha catalográfica, sumários, ilustrações, diagramação, índices, preparar e-book comum, fazer e-pub, agora estou elaborando I.As para montar audiolivro e traduzir as obras para outros idiomas. Não compensa eu pagar R$ 10.000,00 para traduzir uma obra que vai me dar o retorno de R$ 400,00/ano. Não compensa pagar R$ 2.500,00 por uma capa por uma obra que retorna R$ 10,00/mês. É matemática simples.

E claro, os marketeiros, que hoje são praticamente místicos milagreiros te prometem:

_Aaahh, se você fizer a capa comigo, seu livro vai ser um sucesso!

_Se você fizer a diagramação com meu parceiro fulano, sua obra vai ser bestseller!

Você, autor independente tem que aprender a fazer tudo isso e muito mais, fazer a sinopse, o texto da orelha, o texto da contracapa, e se valer de quem mais próximo pode te ajudar, eu me vali de minha esposa, ela sempre dá uma lida na obra depois de pronta.

Mas sua obra é amadora!

Sim! Orgulhosamente amadora! Amadora e amada!

Não existe gasto, nem despesa, existe investimento!

Se minha obra retornar os R$ 10.000,00 da tradução em um mês, eu terei prazer – e vale a pena – investir num profissional e pagar.

Mas eu tenho uma filosofia que é prática, sensata, inteligente: a obra, amadora como está tem que provar seu valor de mercado, ser testada nas estrelinhas da Amazon, o público que vai dizer, e quantidade de vendas também. Só então depois eu investiria nela. Quando você analisa o mercado de ações para investir, você investe em ações que são ruins? Nunca! Minhas obras são minhas ações do mercado literário em seu nicho.

Pergunte se tais profissionais topam uma parceria de risco, já que prometem tanto e com tanta certeza, diga assim:

_Você faz seu trabalho sem me cobrar nada, coloco a obra no mercado, se estourar de sucesso como você diz, te pago o dobro. Pergunte se eles aceitam! Não, pois eles sabem que não terá sucesso.

Gente, já transformei um TCC em livro, já escrevi uma obra chamada ROCK E ESPIRITUALIDADE, outra chamada SEU LIVRO PUBLICADO, uma de humor HUMOR QUÂNTICO NA 5ª DIMENSÃO, outra de humor mineiro NO QUINTAL DAS GERAIS, entre as tantas de meu nicho principal “consciência e espiritualidade sem religião” com meu viés “científico e de física”.

Fiz isso por, pelo menos duas questões: a. Me autodesafiar como escritor; b. Buscar novos mercados editoriais. Até hoje, durante esses anos todos fico procurando meios de encontrar mais espaço no mercado. O máximo que consegui, alguns valores de 3 dígitos na Amazon e outros 3 dígitos no Clube de Autores todos os meses. Não paga um milésimo de meu trabalho.

Fora o super site que tenho desde 2001, domínio que comprei que já tem pelo menos 2000 textos meus e dá uma trabalheira técnica dos diabos: backups, proteções, atualizações, correções e otimizações de SEO. Se você quer seguir carreira é obrigado a ter um site robusto, as redes sociais, ficam em 2° plano, são obrigatórias também (eu as detesto, mas levo em frente), meu negócio é conteúdo e não superficialidade.

Depois que lancei a obra SEU LIVRO PUBLICADO achei melhor criar um site só para ele, pois é muito fora de meu nicho editorial: https://seulivropublicado.com.br. Assim tenho 2 sites para cuidar e ainda uma loja virtual grátis – não compensa investir – na Loja Integrada. Depois de anos parada estou voltando com a loja, outro domínio próprio: https://consciencial.com.br – posso ter 50 livros lá sem pagar nada, só para divulgação, mas usei uns truques de HTML e CSS por lá, como digo, temos que nos virar sozinhos, ou nos comem vivos e nos fazem de otários.

Aliás, autista não tem carisma, tem que ter conteúdo profundo e mostrar serviço, senão a sociedade que ama gatinho e cachorrinho, pisa no autista.

Papo reto, é a história de minha vida, quem conta sou eu. A vida me ensinou a me defender com certo grau de ironia e de energia, porque afinal, a falta de cultura no mundo e na web – ironizo que é a cultura da terra plana – tem opinião para tudo, mas não estuda e não pesquisa nada.

Hoje há informação de graça na web para tudo, se você tem condições de escrever um livro qualquer, terá também de estudar sozinho e aprender a se virar e fazer tudo. Tenha coragem e iniciativa, vá nas comunidades das redes sociais, se inscreva, observe um pouco e veja se pode pedir alguma ajuda e oferecer a sua em troca, você pode ser um leitor beta de alguém. Às vezes você é bom em português e tem uma visão boa para artes, para comunicação visual, não sei, as possibilidades são infinitas.

Eu não procuro mais ninguém, vou tentar escalar os valores que obtenho aos poucos, fazendo minha parte, e não quero publicar por editora nenhuma, eu abri a minha pelo MEI em 2009 e a tenho até hoje, se bem que, nunca fez a menor diferença ter este CNPJ, não precisa mesmo.

Se você não quer aprender, pesquisar, esquentar a cabeça com cada assunto obrigatório para construir seu livro, então, se puder, pague a um profissional idôneo, mas nunca espere retorno financeiro, pois a exceção não sirva de exemplo para a regra.

Nota: e já tentei com influenciadoras também, não funciona. O melhor marketing (melhor custo-benefício) é impulsionar no Instagram e no Facebook.

Dalton Campos Roque – engenheiro por destino, editor por teimosia, escritor por vocação, poeta por emoção, pesquisador da consciência por dharma, em busca de redenção.