Antes de ler este post é obrigatório, para fino entendimento, ler o post anterior COMO EU APRENDI A PRECIFICAR MEUS LIVROS E EBOOKS COM MÉTODO, CONSCIÊNCIA E MATEMÁTICA SIMPLES
Como organizei tudo no Excel
Depois que compreendi que preço não nasce de um único fator, eu precisei transformar essa visão em método. Método precisa ser registrável, auditável e ajustável. Foi aí que o Excel deixou de ser planilha e passou a ser sistema editorial.
Eu organizei tudo em duas camadas principais. A primeira camada é a planilha Livros. A segunda camada é a planilha Parametros. Essa separação foi fundamental.
Na aba Livros eu concentro os dados brutos de cada obra. Ali estão informações objetivas como ano de publicação, número de páginas, grau de importância estratégica, tipo editorial C ou E, nota consolidada na Amazon e número de avaliações. Esses são dados que pertencem ao livro, não ao modelo.
Na aba Parametros eu concentro as variáveis do sistema. Média do catálogo, limites de bônus e penalidade, sensibilidade da nota, maturidade máxima em anos, saturação de avaliações, percentual do ebook, preço mínimo e preço máximo do digital. Tudo que pode mudar no futuro fica ali. Eu não uso números fixos dentro das fórmulas principais. Eu referencio células da aba Parametros. Isso torna o modelo vivo.
O raciocínio foi o seguinte
Primeiro eu calculo o ganho seco sugerido do autor. Esse valor nasce da combinação de páginas com grau de importância. É uma base estrutural. Depois aplico multiplicadores editoriais conforme o tipo C ou E. Em seguida entra o fator reputação, que combina maturidade por idade da obra com robustez pelo número de avaliações. Esse fator é limitado por teto e piso de bônus e penalidade. Assim eu evito distorções exageradas.
Tudo isso gera o valor bruto sugerido do autor.
Depois vem a segunda etapa, que foi decisiva. Eu percebi que o ganho do autor não pode ser analisado isoladamente. Ele precisa ser somado ao custo real da loja. No Clube de Autores eu uso o custo que aparece na coluna específica da planilha. Na UICLAP eu uso o custo correspondente daquela plataforma. São custos diferentes.
O preço final de capa nasce da soma entre custo da plataforma e ganho refinado do autor. Só depois eu aplico o refinamento psicológico de preço, ajustando para terminar em 90 ou 99, conforme a estratégia.
Em seguida eu recalculo o ganho real do autor, subtraindo novamente o custo da loja do preço refinado final. Isso garante coerência. O número final que aparece como lucro do autor é matematicamente consistente com o preço público.
Para os ebooks eu simplifiquei. Eu parto do valor do autor no impresso, aplico o percentual definido na aba Parametros e depois uso um limitador com mínimo e máximo também definidos na aba Parametros. Em seguida aplico o refinamento psicológico digital, normalmente terminando em ,99.
O ponto mais importante da organização foi este.
Eu eliminei colunas desnecessárias. Não deixei cálculos intermediários visíveis que só confundem. O que interessa aparece. O que é estrutural fica escondido na aba Parametros. Isso me permite alterar política editorial inteira mudando poucas células.
Se amanhã eu decidir que o ebook deve ser 27 por cento do impresso, eu altero uma única célula. Se eu quiser elevar o mínimo digital para 8,99, altero outra célula. O sistema recalcula tudo automaticamente.
O Excel virou uma simulação do meu pensamento editorial.
Eu deixei de precificar por intuição fragmentada e passei a precificar por modelo consciente. O modelo é ajustável. O modelo é verificável. O modelo preserva coerência entre 45 obras diferentes.
Organizar assim trouxe algo além de números. Trouxe serenidade. Eu sei por que cada livro custa o que custa. E sei que, se eu alterar uma variável, consigo prever o impacto no portfólio inteiro.
Isso transforma precificação em estratégia, e estratégia em consciência aplicada ao mercado.
Imagens reais de uso

